Livro · Resenha

Resenha: A Estrada da Noite, de Joe Hill

Olá pessoal! Retomando as resenhas aqui do blog, hoje pretendo falar um pouco mais do livro A Estrada da Noite, de Joe Hill. Essa resenha faz parte do Desafio Literário do Momentum Saga, cuja meta que escolhi para o mês de março foi um livro de terror. A Capitã inclusive resenho esse livro também lá no site, corram pra ler!

O LIVRO

A ESTRADA DA NOITE é a história de uma lenda do rock pesado, o cinquentão Judas Coyne, que coleciona objetos macabros: um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato. Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta. “Vou ‘vender’ o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto…” Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Sempre às voltas com seus próprios fantasmas – o pai violento, as mulheres que usou e descartou, os colegas de banda que traiu –, Jude não tem medo de encarar mais um. Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração.

A-Estrada-da-Noite

Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora. O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita, balançando na mão cadavérica uma lâmina reluzente – verdadeira sentença de morte. O roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar. O morto é Craddock McDermott, o padrasto de uma fã que cometeu suicídio depois de ser abandonada por Jude. Numa corrida desesperada para salvar sua vida, Jude faz as malas e cai na estrada com sua jovem namorada gótica. Durante a perseguição implacável do fantasma, o astro do rock é obrigado a enfrentar seu passado em busca de uma saída para o futuro. As verdadeiras motivações de vivos e mortos vão se revelando pouco a pouco em A estrada da noite – e nada é exatamente o que parece.

LITERATURA E MÚSICA

A musicalidade é um elemento muito marcante no livro. Não só por se tratar da história de um astro do rock, mas devido às inúmeras referências a músicas e bandas que o leitor certamente já ouviu falar. Para quem está familiarizado com rockstars famosos, não é muito difícil associar a figura do protagonista Jude com ícones desse estilo musical tão ouvido mundo afora, especialmente no que diz respeito ao estilo de vida pouco comum. No início da trama, somos apresentados à sua rotina de músico e conhecemos um pouco de suas peculiaridades. Entretanto, à medida que a história avança, o leitor é levado em uma viagem que envolve espíritos malignos e tabuleiros ouijas. O que deveria ser apenas mais um item da bastante macabra coleção de Jude torna-se um risco para ele e para todos que convivem com ele. Afinal, o fantasma de Craddock se mostra um perigo real e imediato, capaz de distorcer a vida do músico e transformar seus piores pesadelos em realidade.

TAL PAI, TAL FILHO?

É impossível começar a ler o livro sem comparar, ainda que bem sutilmente, o autor Joe Hill com seu pai, o renomado e conhecido Stephen King. Na minha humilde e bastante espantadiça opinião, o Hill teve para quem puxar. Como leitora, acredito que o autor se dedicou de corpo e alma (especialmente de alma) para compor a história de Jude. Assim sendo, não acho justo compará-lo com o pai. Ambos escrevem livros voltados ao sobrenatural e com doses generosas de terror, entretanto, seus estilos de escrita e a maneira como desenvolvem as suas narrativas são completamente distintas. Como o próprio Joe mencionou, quando estava na faculdade, ele tinha certeza de que queria ser escritor. Mas não gostava da ideia de assinar seus livros como Joseph King.

Seu medo era que os editores publicassem seus livros só para ganhar dinheiro fácil com o sobrenome, mesmo se eles não fossem bons. Foi aí que Joe decidiu esconder sua identidade e escrever como Joe Hill. Naquela época, ele evitava ao máximo escrever sobre terror, para não ser considerado uma imitação do pai. Escrevia histórias realistas, que não lhe excitavam muito pois sempre gostou mais de terror e fantasia. Depois de alguns anos ele se tocou: se assinasse como Joseph King, não se permitiria escrever esse tipo de história. Mas, como ele era Joe Hill, poderia escrever sobre o que bem entendesse! Sua identidade continuou secreta por dez anos: nem mesmo seus agentes sabiam que ele era filho de Stephen King. Foi tempo suficiente para publicar dois livros, aperfeiçoar seu estilo e fazer um certo sucesso, sem que ninguém o incomodasse por ser filho de seu pai.


Título: A Estrada da Noite
Autora: Joe Hill
Editora Arqueiro
Páginas: 256
Compre: Amazon

 

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