Livro · Resenha

Resenha: Rei Lear, de William Shakespeare

Olá pessoal! Chegando aos 45 do segundo tempo para dar sequência à série de resenhas aqui do blog, hoje vamos conhecer um pouco mais do livro Rei Lear, de William Shakespeare. Essa resenha faz parte do Desafio Literário do Momentum Saga, cuja meta que escolhi para o mês de março foi um livro que eu li na escola.

O LIVRO

REI LEAR conta a história de Lear, rei da Bretanha que, ao chegar à velhice, se vê obrigado a dividir seu reino. A maior desgraça para um monarca atingira-o: para protegê-lo e garantir sua sucessão, nenhum filho varão, apenas três filhas mulheres, Goneril, Regana e Cordélia. As duas primeiras são casadas, respectivamente, com o Duque da Albânia e com o Duque da Cornualha, olhos cobiçosos por sobre as terras bretãs, enquanto que Cordélia recusa-se a casar, para permanecer ao lado do pai. Mas o assédio de estranhos pelo reino não é o mal maior do qual padece o rei. A progressiva dificuldade de discernir as atitudes e os discursos daqueles que o cercam, o embotamente da percepção da sinceridade e da falsidade humana e a suspeita errônea de onde viria a traição são os males fatais para o outrora grande monarca.

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Acredita-se que a tragédia Rei Lear foi escrita em 1606 por William Shakespeare, porém a obra existe em dois textos diferentes, o Quarto de 1608 e o Folio de 1623, que diferem notavelmente entre si em vários aspectos. A impressão do Quarto é de má-qualidade, e o texto deste foi durante muito tempo considerado inferior ao Folio. É provável, porém, que o Quarto tenha sido editado em base às notas do próprio Shakespeare e que represente um estágio autêntico inicial da obra. O Folio é uma edição póstuma, organizada pelos atores da companhia teatral de Shakespeare, e possui um texto mais aprimorado que o do Quarto. Entre os dois textos há várias diferenças no número de falas, vocabulário e o peso relativo dos episódios. Também o final é distinto: no Quarto, a última fala é do duque de Albany, enquanto que no Folio é de Edgar, indicando assim uma diferença entre quem reinará a Bretanha após Lear.

HISTORICIDADE E TRAGÉDIA

Como bom escritor de sua época, William Shakespeare inspirou-se em antigas lendas da fundação do Reino Unido para compor a trama base de sua obra. Em um episódio da Historia Regum Britanniae, do galês Godofredo de Monmouth, o autor conta a história de Leir, um rei britânico, fundador da cidade de Leicester, que tem três filhas, duas das quais tentam usurpar-lhe o reino. A terceira filha permanece fiel ao pai e termina sendo a herdeira do trono.

Durante o período do Renascimento, esse mesmo episódio aparece recontado em várias obras literárias que podem ter influenciado Shakespeare, como as Crônicas da Inglaterra, Escócia e Irlanda (1587), de Raphael Holinshed  e o canto 10 do livro 2 do poema épico A Rainha das Fadas, de Edmund Spenser. Só que, ao contrário da fonte histórica e das adaptações posteriores, Shakespeare introduziu muitas modificações ao escrever sua própria versão, especialmente o final trágico e o ambiente pagão do reino de Lear.

PARALELOS E CATARSES

É interessante ressaltar que há diversos elementos em Rei Lear que também são encontrados em outras peças de Shakespeare, como A Megera Domada, por exemplo. O rebaixamento do personagem  Kent, que se disfarça de servo para auxiliar o rei (a quem é fiel mesmo tendo sido  banido por tentar dissuadir o monarca da ideia de expulsar a própria filha do reino); os enganos, o espelhamento da trama central em uma trama secundária, todos esses elementos encontram paralelos na comédia. Todavia, o que em A Megera Domada servia para causar o riso, em Rei Lear é usado para compor o quadro de perdição oriundo do erro trágico do protagonista e, consequentemente, o efeito catártico e didático da tragédia shakespeariana: a fragilidade humana faz com que a velhice não traga, obrigatoriamente, a sabedoria ou o aprendizado pela experiência.


Título: Rei Lear
Autora: William Shakespeare
Tradutor: Millôr Fernandes
Editora L&PM Editores
Páginas: 99
Compre: Amazon

 

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