Tradução

Conversa de tradutor: a competência tradutória

Oi pessoal! Ultimamente tenho revisitado muitos dos meus arquivos da época em que cursava Tradução na faculdade e resolvi compartilhar um pouco da experiência com vocês. Muita gente tem a concepção errada que basta uma ferramenta de tradução feito o Google Translator e um dicionário para você ser um tradutor. Não é bem assim que a banda toca.

Assim como não nascemos sabendo ler e escrever, também não nascemos sabendo traduzir. É aqui que entra o conceito de competência tradutória. Bell define a competência tradutória como o conhecimento e habilidades que o tradutor deve ter para realizar uma tradução; Hurtado Albir a define como a habilidade de saber como traduzir. Já para Wills, a competência tradutória exige uma supercompetência interlingual […] baseada em um conhecimento amplo das respectivas língua de origem e da tradução, incluindo a dimensão texto-pragmática, e consiste na habilidade de integrar as duas competências monolíngues em um nível mais elevado.

Em resumo, não basta apenas possuir as ferramentas para ser considerado um tradutor, pelo menos não um profissional. É algo que eu costumo dizer: saber falar/conhecer um idioma não é sinônimo de saber traduzir desse idioma. Quantas vezes já nos deparamos com pessoas que sabiam tudo de inglês mas cometia erros bobos como traduzir suco de manga fruta como sleeve juice?

Nossa, Mariana… Mas então como que uma pessoa vira tradutor? Não é da noite pro dia, eu asseguro. Mas também não é tão difícil. Desenvolver a competência tradutória é um exercício constante e uma busca pelo saber que nunca termina. É preciso trabalhar uma série aspectos como adquirir conhecimentos operacionais necessários para a comunicação nas duas línguas: aquela da qual se pretende traduzir e aquela para a qual se pretende traduzir (na faculdade, as chamávamos de língua de partida e lingua de chegada). Precisa-se também adquirir conhecimentos acerca do âmbito cultural (de grupos particulares) e enciclopédico (o mundo em geral).

Além disso são sempre necessários conhecimentos sobre a tradução em si, sobre os princípios que regem o processo tradutório – isto é, os procedimentos, métodos e conceitos empregados -, além dos aspectos profissionais, como o tipo de tarefa e a quem se destina. Existem também os conhecimentos operacionais acerca do uso de fontes de documentação e de tecnologias de informática, muito necessários num mundo globalizado e com acesso abundante à internet como é o nosso. E por fim, é sempre bom possuir conhecimentos operacionais para administrar os demais e garantir a eficácia do processo tradutório, reparando deficiências e controlando toda a dinâmica.

Bom, é basicamente isso. E é nessa hora que vocês perguntam: como que uma pessoa adquire isso tudo de conhecimento, Mariana? Uma forma é cursando Tradução em alguma faculdade ou universidade. Só que eu sei que nem todo mundo tem condições nem financeiras e nem tem tempo para encarar 4 anos de curso, na melhor das hipóteses.  Por isso, aqui estão algumas sugestões de blogs, livros, periódicos que são bacanas e voltados para quem deseja aprender mais sobre tradução.


Espero ter ajudado, pessoal! Até a próxima!

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Um comentário em “Conversa de tradutor: a competência tradutória

  1. “Muita gente tem a concepção errada que basta uma ferramenta de tradução feito o Google Translator e um dicionário para você ser um tradutor.”

    Infelizmente, tem gente traduzindo assim até pra editoras. Alguns livros da editora DarkSide é possível notar a falha na tradução e a pressa para publicar. Isso queima o filme da editora e acaba com o prazer da leitura de um leitor mais atento. 😦

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