Livro · Resenha

Resenha: A Ilha dos Dissidentes, de Bárbara Morais

Olá pessoal! Vamos inaugurar a mais nova série de postagens aqui do blog com uma resenha pra lá de especial do livro A Ilha dos Dissidentes, da queridíssima autora nacional Bárbara Morais. Essa resenha faz parte do Desafio Literário aqui do Máquina de Escrever Mágica, cuja meta do mês de janeiro era um livro para ler nas férias.

O LIVRO

A ILHA DOS DISSIDENTES é o primeiro volume da trilogia Anômalos e principia a história de Sybil. Tudo o que ela mais queria era sair de Kali, zona paupérrima da guerra entre a União e o Império do Sol, e não precisar entrar para o exército. Mas ela nunca imaginou que pudesse ser um dos anômalos, um grupo especial de pessoas com mutações genéticas que os fazia ter habilidades sobre-humanas inacreditáveis. Como única sobrevivente de um naufrágio, ela agora irá se juntar a uma família adotiva na maior cidade de mutantes do continente e precisará se adaptar a uma nova realidade. E logo aprenderá que ser diferente pode ser ainda mais difícil que viver em um mundo em guerra.

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Publicado em 2013, o livro é narrado pela protagonista Sybil Varuna, que deixa para trás a vida como órfã de guerra e vai viver em Pandora, uma cidade quase idílica para onde vão os anômalos como ela, ou seja, pessoas com poderes que remetem aos quadrinhos dos X-Men. Na primeira parte da história, somos apresentados aos ocorridos da vida de Sybil, à sociedade dividida entre União e Império que, por sua vez, divide seus indivíduos em normais e anômalos. Dessa parte em diante, qualquer semelhança com o movimento do Apartheid na África do Sul não é mera coincidência.

LITERATURA E PRECONCEITO

Camuflada atrás de uma sociedade que prega o bem e a paz entre os seus cidadãos, se encontra um problema sérissimo que transpôs as barreiras do mundo real e foi parar em A Ilha dos Dissidentes: o preconceito. Embora o governo fictício da história pregue que dividir as pessoas em dois grupos distintos (os com poderes e os sem) é para o  próprio bem da humanidade, o fato de anômalas e anômalos precisarem vestir amarelo para serem identificados quando estão entre as pessoas, digamos, normais é uma evidência clara de que o preconceito está impregnado em cada aspecto da sociedade e acompanha Sybil enquanto ela tenta se adaptar à escola nova, fazer amigos e conhecer melhor sua família adotiva.

DIVERSIDADE

Uma das características mais marcantes do livro são seus personagens centrais: Sybil não apresenta nenhum aspecto que remeta aos estereótipos de jovens que permeiam a literatura mundo afora. Somos apresentados a personagens de etnias variadas, o que é um ponto bastante positivo. Além disso, temos inversões de papéis sociais que são interessantes de se ler, assim como a existência de um personagem com deficiência visual, que, apesar de seus poderes, enfrenta as mesmas adversidades que um deficiente visual enfrentaria.

A história prende a atenção do leitor à medida que mundo aparentemente perfeito vai se esfacelando e evidenciando o horror subjacente à medida que lemos. Quando os personagens são colocados à prova, aprendemos mais e mais sobre em que a sociedade se transformou e como se dão as dinâmicas de poder no universo criado por Bárbara e esse aprendizado faz você terminar o livro já querendo ler o segundo.


Título: A Ilha dos Dissidentes
Autora: Bárbara Morais
Editora Gutenberg
Páginas: 304
Compre: Amazon
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